10 de mai. de 2010

Brota um olho novo



Riscamos com giz uma noite cálida.
Assim ficou, pois da tua cama nasciam Renatos, Ataulfos, Chicos, Marcelos...
...e tantos outros que semeavam a mesma noite fria.

Do universo que surgiu pouca coisa ficou colorida.
Pelas calças na rua ou pelos sorrisos na televisão nos enganamos pelos goles falsos.
Não adianta.
Parece querer alienar a sacanagem;

O brotar do olhar passa por experiências como essa.
Fuga, ternura e descompasso.
Menos humano, mais palhaço.


produção noturna de Amanda SchArr (gravura insólita), Guilherme Cruz (palavras insólitas) e Fernanda Costa (presença espiritual insólita). 

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5 de mai. de 2010

Sinal fechado


"Eu vou indo, correndo pegar meu lugar no futuro... E você?"












Foto por Amanda SchArr


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1 de mai. de 2010

Pois é,



o amor ficou pequeno

Mas agora
sobra espaço na  s a l a.



Por Pagouche (Uma Ilustre)


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26 de abr. de 2010

Happy hour


Chegou do trabalho mais cedo
Pendurou no cabide o casaco e o medo
do assalto, do tiro, do soco, da epidemia
Da solidão, do salto do tempo que o cabelo já denuncia

Desabotoou a camisa, tirou os sapatos
E na cama vazia deu-se conta dos fatos
Da ausência de companhia pra dividir os trapos
Da decadência do dia-a-dia, da sua falta de trato

Acendeu um cigarro pra aliviar o stress
Bebeu a cerveja como se fizesse uma prece
Pra Cristo, Alá, Javé, Buda
Ou qualquer outro santo que lhe acuda

Ligou a TV
Noticiário
Economia, política, futebol...
e o povo sempre otário
CPI em Brasília, gol do Romário
vida em Marte...
Qualquer conto do vigário

Hoje alguém ganhou na loteria
Sua sorte bem podia ser aquela...

- Boa noite!

Começou a novela.


Por Amanda SchArr


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7 de abr. de 2010

Nina e o Ar


Ser conhecer
Virou
Transformar o estar
Nina, quis amar
O céu e Elizeu
Por gostar,
Sonha ao acordar

Entre a forma dos passos
Redondos modos de voltar
Ruas calçam seus pés
Elizeu, água e ar

Claros braços de alguém
Se estende em si
Branca tez
Se desfez
Para nos iludir

Contrariando o sonolento andar
Preza na alma a variação
Dos amores que lhe prende e faz repousar

O sonhar de Nina se faz querer
Contempla o embalar das cortinas escuras
Flores de uma candura que carrega o seu ninar.




Por Guilherme Cruz


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18 de mar. de 2010

Orgânica



Os ossos a sós não fazem barulho
Não rangem
Estalam
mudos dores reumáticas

Enquanto articulo idéias
Medulam palavras
Calcifica o tempo estanque
a poesia
Verte dos poros
Fluidos do tempo

Está a fibra reduzida a pó
E somente os pelos
Pressentem do fluxo
A força cinzenta que desfalece

Fio-a-fio a perene harmonia
(hormônica?)
Impede-me de ser apenas matéria
E transcende
prescinde da massa
do plasma
da morte a que o sangue impele.


Por Amanda SchArr


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13 de mar. de 2010

Ressaca


E o que eu faço
Nessas noites de frio e cansaço
Preciso de amigos honestos
Quero beijos e pernas
E também abraços

Quero todos os passos
e pegadas da noite
com as sombras, as sobras
os goles de ontem


Por Pagouche (Uma Ilustre)


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4 de mar. de 2010

CONTINA E SERPENFETE

...fazendo a marcha...





O Festival de Músicas para o Carnaval não vive só do samba, é em outro gênero carnavalesco que o festival ganha o seu diferencial e seu tom de preservação artística. São com marchas de salão, marchas rancho, e uma relação frevística em alguns casos, que a competição mantém um critério musical que abrange esse gênero esquecido. Mas é na movimentação carioca de revitalização dos blocos de carnaval, e por conseqüência das marchinhas clássicas, e através da competição que ocorre em São Borja que a marcha não entra em desuso – ainda bem!


E aqui vai um exemplo que demonstra a produção de marchinhas, exemplo de trabalho autoral que vale pelo o seu ineditismo. As duas músicas a seguir falam da alegoria que é o carnaval, suas conseqüências e suas paixões. É na “Marcha para um grande amor”, uma marcha rancho do Grupo Pixinguinha e em “Estandarte dos Sonhos”, um samba do Grupo Musiviola, ouvimos os gritos dos blocos nas ruas, o toque do amor de carnaval, a ação do delírio e o cheiro de lança-perfume (quando isso ainda era dolente e não proibido).

E assim acaba o carnaval:


Marcha para um grande amor
(Paulo Caetano e Eraldo Mazarém - 1984)

És estandarte.
Bandeira sou também
Ao te encontrar
Não vejo mais ninguém.

Um grande amor
Não pode terminar.
Por isso vem
Fazer o meu carnaval

Bate tuas sandálias empoeiradas
Firmes no chão
Pois o meu surdo bate
Em compasso igual ao de teu coração

Vem amor, vem amor
Volte amor, pra mim
Antes que o sol renasça
E nossa madrugada chega ao fim.







Estandarte dos Sonhos
(Nívea Mendes – 1978)
Musiviola

Venho de um mundo perdido
De um sonho desfeito
Trago nos olhos molhados
Pedaços de aurora

Em cada lágrima canto
A alegria perdida
Em cada riso sufoco
A tristeza que chora

Sou um pedaço de vida
Buscando na noite
Restos que a felicidade
Esqueceu de guardar

Sei que com muito se vive
Mas que com pouco se passa
E é tudo quanto eu preciso
Pra vida levar

Abram alas na avenida
Eu também quero passar
Sou Estandarte dos Sonhos
Com a ilusão também quero brincar


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