26 de abr de 2010

Happy hour


Chegou do trabalho mais cedo
Pendurou no cabide o casaco e o medo
do assalto, do tiro, do soco, da epidemia
Da solidão, do salto do tempo que o cabelo já denuncia

Desabotoou a camisa, tirou os sapatos
E na cama vazia deu-se conta dos fatos
Da ausência de companhia pra dividir os trapos
Da decadência do dia-a-dia, da sua falta de trato

Acendeu um cigarro pra aliviar o stress
Bebeu a cerveja como se fizesse uma prece
Pra Cristo, Alá, Javé, Buda
Ou qualquer outro santo que lhe acuda

Ligou a TV
Noticiário
Economia, política, futebol...
e o povo sempre otário
CPI em Brasília, gol do Romário
vida em Marte...
Qualquer conto do vigário

Hoje alguém ganhou na loteria
Sua sorte bem podia ser aquela...

- Boa noite!

Começou a novela.


Por Amanda SchArr


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7 de abr de 2010

Nina e o Ar


Ser conhecer
Virou
Transformar o estar
Nina, quis amar
O céu e Elizeu
Por gostar,
Sonha ao acordar

Entre a forma dos passos
Redondos modos de voltar
Ruas calçam seus pés
Elizeu, água e ar

Claros braços de alguém
Se estende em si
Branca tez
Se desfez
Para nos iludir

Contrariando o sonolento andar
Preza na alma a variação
Dos amores que lhe prende e faz repousar

O sonhar de Nina se faz querer
Contempla o embalar das cortinas escuras
Flores de uma candura que carrega o seu ninar.




Por Guilherme Cruz


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