5 de ago de 2010

Último dia frio do último verão.


Carece se indignar.
Sim porque os vestígios dos medos já não dizem nada, por si, pra si, por vós... Nada mais conjuga as vontades passadas pela fresta do coração.
É ele novamente que te impulsiona e exige ficar do seu lado. Eu caio, levanto, olho para você novamente e mais nada eu vejo e toco...e minto.
Porque é assim que você me vê, um indigno ser conflitante.

Como eu desejava aquelas pessoas que passavam junto a mim, aquelas que roçavam o ombro ou se despiam com um encontrão eram os melhores amores pelas ruas. Eu nada via, mas sentia que era. E como tu fizera para dissimular tanta gente?
Eu por mim já havia dito as últimas palavras, mas como é difícil se despedir...

Assim vai se dividindo os rancores. Paixão e servidão pra cá, mordidas e carícias pra lá...
“Os beliscões são meus...”
“Nada disso! Então fico com os arranhões”.

E as coisas vão se espalhando, se misturando, se confundindo, e enfim se percebe que nada foi nosso.
Ouço os últimos barulhos no corredor. Saltos que de tão altos me ausentavam você de mim, você subia e eu encurvava. Uma parábola humana de vontades contidas e olheiras rasgadas. Não julgo mais.
Eu doei o vazio entre os espaços acolchoados.  
Agora eu me lavo, condeno e cuspo pra fora nesse frio que é o tempo.

...
Último espinho retirado...
Aqui estou novamente encarando as besteiras que o espelho diz.


guilherme cruz.



Fado de Fada - Pedro Rocha


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3 comentários:

Morgana disse...

Gui, da pra te achar facilzinho nos teus textos. Muito bonito esse, beijo pros 3.

Maria Bethina disse...

Não sei se rio meu riso
Ou derramo meu pranto
"É só uma viagem"

Gehlen's disse...

ai que bello.