13 de jul de 2010

Olhava



Caras são as ruas limpas e coloridas dos últimos dias.
Parecem que as pessoas floresceram de prédios, das lajotas, das paredes de vidros, dos motores à diesel, das matas formadas por barbatimão.
Tudo pretende me surpreender, já ouvi dizer que é o meu signo.
Mas que diabos! Porque nos últimos dias o signo me encoraja, me desvia de assuntos, me sustenta as mentiras, me deprime e me faz melhor? Não sei o que está havendo, mas tudo parece lúcido, limpo, calmo, transparente.

Até essa mania de quantificar as coisas achando sinônimos. Os exemplos só ganham exatidão com essa listagem maníaca. Haja vírgula e paciência.

Também disseram que pode ser a miopia.
Alguns sentenciaram que só seria um novo enfoque pra vida. Eles quiseram me animar.
Era a vida embaçando os ladrilhos da casa da esquina, as janelas da vidraçaria, o alfinete no chão e a moeda na mesa. É a contração de sentidos, porque são os sentidos que vejo com maior nitidez. Tudo embaça, mas eu vejo o sorriso da funcionária do mês, a preocupação da senhora quando passa um menino negro do lado dela, as diferentes formas de afeto e medo que a criança tem quando abre os braços sentada no balanço.
Eu me sinto balançado em crer que tudo aquilo era nítido e próspero. Assim como foi num outono que eu não precisava de nada, ou naquele verão que eu tinha tudo. Sempre fui extremo, agora sou contido e me aperto entre as duas pálpebras pra te encontrar por aí.

Não, não é alguém específico.
Não é o amor da minha vida, com certeza não é.
É você, humano comum que permitirá um toque sutil pela leveza de um momento cotidiano de bem estar (pelo menos pra mim).
Eu lhe enxergo abaixando a cabeça e levantando-a levemente em direção sudoeste. Esquina do Intervalo com a Rua da Contradição, fazendo a volta pela Avenida Efêmera. Não tem como se perder!

Eu olhava. Eu procurava. Eu torcia. Eu queria te encontrar.
Tudo estava colorido, lúcido, limpo e transparente naquelas edificações, lajotas, vidros daquela senhora, funcionária, criança.
Você era tudo que eu via pelo novo enfoque e pela minha condição humana.

Então resolvi que nesse final de semana não beberia mais.


Por Guilherme Cruz
 

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2 comentários:

Nathi disse...

meu comentário-construção vou fazer com duas frases q estão nas minhas notas adesivas a semana toda no pc :

"o q vc faz, fala tão alto, q eu não consigo ouvir oq vc diz"

"Toda vez q falta luz o invisível nos salta aos olhos"

e digo q haja paciência pra minha mania de procurar frases em filme e música , nem meu signo explica, mas barbatimão eu lembro hehehehe

Insólito Trio e outros Ilustres disse...

ótima mania, Nathi.

e...
Tenho um catálogo pra mostrar!
hahahaha